terça-feira, agosto 29, 2006


Minha notícia é andar por esse país...

Estas eleições, apesar das CPIs e similares, tem se mostrado das mais calmas e previsíveis dos últimos tempos. E calmaria não dá notícia. Não gera audiência. A solução encontrada pelo jornal nacional para “politizar” a discussão, e de quebra jogar um pouco mais de sal na campanha eleitoral, foi sair em caravana percorrendo o país a fim de escutar “ a voz do povo”. No final destas eleições, mesmo que não tenham refletido sobre as propostas dos candidatos, seus programas de governo e ideologias, os espectadores terão conhecido algumas cidades do Brasil. Além é claro de estarem devidamente atualizados sobre a rotina de cada um dos presidenciáveis, onde almoçou, onde fez comício, quantos eleitores abraçou. Não é à toa que metade dos eleitores declara que não votariam se lhes fosse permitido escolher.

sábado, agosto 26, 2006


Van Gogh vende remédio para enxaqueca

Van Gogh sofria provavelmente de esquizofrenia, tendo em uma de suas crises cortado a própria orelha. Morreu pobre. Vendeu apenas um quadro em vida, para seu irmão, Théo. Depois de sua morte, um de seus quadros, Retrato do Doutor Gachet, foi durante muito tempo o quadro mais caro do mundo. Hoje, as mesmas pinturas que não conseguiu vender quando vivo, servem para o laboratório farmacêutico Abbott propagandear seus medicamentos para migrânea, popularmente conhecida como enxaqueca. Foi isto que foi visto no Congresso Brasileiro de Neurologia 2006, onde não bastando o stand (melhor seria chamar de salão) desta empresa ter em toda a sua decoração gravuras do pintor, ainda se ofereciam cópias de uma de suas pinturas, para os doutores que quisessem ter um Van Gogh em seu consultório a lhe lembrar qual o melhor tratamento para dores de cabeça. E pensar que Vincent para se tratar tinha que fazer retratos da família de seu psiquiatra, por não ter dinheiro para pagar pelas consultas...

VEJA e o marketing político e farmacêutico

A capa da veja desta semana traz a profunda discussão político-ideológica do uso de toxina botulínica por políticos com a finalidade de melhorar a aparência e esconder suas rugas, provavelmente fruto das preocupações sem fim de uma profissão tão insalubre. Fica então a dúvida se a reportagem usou-se de uma futilidade para tentar ridicularizar os políticos em questão, ou se foi uma mera desculpa para se fazer propaganda do Botox, já que boa parte da reportagem fala dos benefícios, alguns controversos, do medicamento do laboratório Allergan. É pena uma das revistas de maior circulação do país não ter nada melhor para ilustrar sua capa.