
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
Ato unificado mostra o "carinho" da prefeitura com a população

terça-feira, fevereiro 22, 2011
Mulheres em luta em Campina Grande

Entidades de Campina Grande comemoram Dia Internacional da Mulher na próxima terça-feira
Campina Grande, 10 de março de 2011.
Um grupo de entidades, movimentos sociais, sindicais e estudantis de Campina Grande se uniu para celebrar na próxima terça-feira, 15 de março, o Dia Internacional da Mulher, transcorrido na terça-feira, feriado de Carnaval. A data vai ser comemorada na cidade com o Debate “Mulheres do Campo e da Cidade na Luta por Direitos e Igualdade” realizado à partir das 13h30, no auditório da Faculdade de Administração da UEPB, localizado à Rua Getúlio Vargas, 44, Centro. O evento terá como debatedoras Idalina Santiago, professora e pesquisadora do Grupo de Estudos de Gênero Flor e Flor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), falando sobre a conjuntura dos direitos das mulheres no cenário urbano e Maria Leonia dos Santos do Pólo Sindical da Borborema e da Articulação do Semi-Árido ASA sobre a conjuntura no meio rural.
A programação da tarde será aberta com uma apresentação de Teatro do Oprimido, onde se discutirá os principais problemas que as mulheres enfrentam hoje em dia e serão discutidas soluções com a ajuda dos/as expectadores/as. A entrada no evento é totalmente gratuita e aberta a qualquer pessoa interessada, estão sendo convidadas entidades representativas da sociedade civil organizada de Campina Grande.
Batucada e panfletagem
Após o debate, às 16h30 as/os participantes irão realizar uma batucada e panfletagem na Praça da Bandeira e sinais de trânsito próximos, distribuindo materiais informativos sobre a temática e chamando a atenção da população que passa pelo local para os graves problemas enfrentados pelas mulheres atualmente.
Entre as entidades que promovem o evento estão: Articulação do Semi-Árido da Paraíba (ASA-PB), Associação dos Docentes da UFCG (ADUFCG), Associação de Juventude pelo Resgate da Cultura e Cidadania (AJURCC), Associação das Trabalhadoras Domésticas de Campina Grande, Central Sindical e Popular (Conlutas), Centro da Mulher 08 de março, Centro Acadêmico de Serviço Social 08 de Março (UEPB), Centro de Ação Cultural (CENTRAC), Clube de Mães de Belo Monte, Consulta Popular, Grupo de Estudos de Gênero Flor e Flor da UEPB, Diretório Central dos Estudantes da UEPB, Diretório Central dos Estudantes da UFCG, Heifer Internacional, Marcha Mundial das Mulheres, Ong Menina Feliz, SINTAB e Via Campesina.
Marcha
Ainda dentro das comemorações alusivas ao Dia Internacional da Mulher na próxima sexta-feira, dia 18 de março, acontecerá na cidade de Queimadas, a 2ª Marcha pela Vida das Mulheres e Agroecologia promovida pelo Pólo Sindical da Borborema e pela Ong Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), com o apoio da Articulação do Semi-Árido da Paraíba (ASA-PB). O evento terá concentração no centro da cidade a partir das 9h, com uma Peça de Teatro sobre os problemas enfrentados pelas mulheres e as prováveis soluções, em seguida a Marcha, seguirá pelas ruas centrais de Queimadas. O evento espera reunir cerca de 1.500 mulheres dos 16 municípios em que o Pólo Sindical da Borborema atua e de todas as demais regiões do Estado.A Marcha faz parte de uma série de eventos como seminários e encontros preparatórios que vem acontecendo dentro das comemorações do mês da mulher na região.
Dados
· 53 mulheres foram assassinadas na Paraíba de janeiro a dezembro de 2010;
· A cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas violentamente no Brasil;
· 7,2 milhões de mulheres com mais de 15 anos já sofreram agressões no país;
· 51,2% das mulheres estão no trabalho informal (contra 46,8% dos homens);
· 11,6% das mulheres ocupadas com 16 anos ou mais não tem rendimento;
· As mulheres são maioria entre os desempregados (56,4%); são minoria com carteira assinada (33,58%); são minoria no trabalho formal (25,8%); e recebem em média 29,7% menos que os homens;
· Um dos maiores percentuais da força de trabalho feminina se concentra no trabalho doméstico remunerado: 15,8% do total de mulheres ocupadas. Destas, 80% são negras.
· Na América Latina e Caribe, as mulheres são responsáveis por 45% da produção de alimentos.
· As mulheres estão entre a parcela da população que mais estão sujeitas a pobreza, fome e desnutrição no mundo.
· No Brasil, as mulheres representam 47,8% da população residente no meio rural, somente 16% são titulares das terras onde moram.
· Poucas mulheres conseguem acessar o crédito rural, a exemplo do Pronaf Mulher que em 2010 não foi acessado por nenhuma mulher na PB.
· A taxa de analfabetismo feminino, em 2006, na zona rural era de 22,2.
A Veja, remédios para emagrecer e a medicalização da vida sob interesse do capital

Na última edição 2205 de 23 de fevereiro de 2011 o panfleto neoliberal que atende pelo nome de Veja traz como tema de capa a possível e desejável, mas ainda não consolidada, proibição pela ANVISA ( Agência Nacional de Vigilância Sanitária) da venda de alguns medicamentos para emagrecer (anorexígenos). A carta ao leitor que trata da temática recebe o título de " A opressão em nome do bem". Vejamos o que há por trás disto tudo e a ideologia dos argumentos da revista revestidos de um verniz de utilidade pública e cientificidade barata.
A Anvisa tem sua criação nos marcos das reformas do estado brasileiro realizadas com a finalidade de cumprir o Consenso de Washington. Está na sua criação em consonância com a idéia de estado detentor de um papel regulador, porém sem grandes intervenções. Tem como objetivo regular medicamentos, equipamentos médicos, alimentos e agrotóxicos. No entanto, por muito tempo, teve uma atuação insípida com relação principalmente aos medicamentos, pois não é fácil enfrentar a indústria farmacêutica, a qual gasta mais com propaganda visando convencer os médicos a prescrever seus produtos que com pesquisas de novos medicamentos. Porém nos últimos tempos tem tido atuação mais incisiva como quando proibiu os brindes dados pelas indústrias aos médicos e estabeleceu controle mais estrito na prescrição dos antibióticos com vias a combater a automedicação e diminuir a resistência bacteriana , medidas que tem desagradado às indústrias e aos médicos. Nesta investida, coloca para discussão com a sociedade a retirada do mercado de quatro medicamentos para emagrecimento, sob alegação de falta de consistência nos estudos que mostram resultados e efeitos adversos graves frente a perdas de peso discretas e não sustentadas a longo prazo. Baseando-se na opinião de especialistas, opinião nem sempre isenta de conflitos de interesses, que a revista coloca em questão tal medida.
A reportagem da revista começa citando os milhões de brasileiros que não conseguem emagrecer por uma questão biológica, dependendo portanto dos medicamentos sob suspeita. A idéia que perpassa essa afirmação é a biologização da vida, ignorando fatores sociais, culturais e econômicos. Ou será que metade dos EUA passou a ter nas últimas décadas um problema meramente biológico que fez com toda esta população esteja com sobrepeso ou obesa e que o complexo Industrial Farmacêutico mais pujante do mundo não tenha conseguido conter tal epidemia com os remédios em questão? Na verdade mesmo com a dubiedade do órgão fiscalizador americano, o FDA, que vez ou outra tem ex-funcionários das indústrias farmacêuticas em seus quadro de funcionários, alguns destes medicamentos já foram proibidos no mercado americano. A revista ancora sua defesa na opinião da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) que se apóia em estudos considerados insuficientes pela ANVISA. Ora, a Veja é a primeira muitas vezes a colocar como capa um novo remédio para o que quer que seja amparada em poucos estudos, de forma sensacionalista e propagandista. O papel central dado a medicamentos e procedimentos médicos pela revista demonstra uma posição ideológica de medicalização da vida, onde toda tristeza passa a ser depressão, oscilação de humor é transtorno bipolar, estar fora dos padrões de beleza imposto pela mídia é um problema a ser resolvido cirurgicamente, a obesidade como algo meramente biológico, tudo isso com um remédio ou uma intervenção médica à venda no fabuloso mercado da saúde e da beleza capitalista.
A epidemia de obesidade que vemos hoje pelo mundo é um reflexo da sociedade de consumo que vivemos. E a ânsia por um remédio que resolva tudo uma faceta do imediatismo inerente a esses tempos onde não temos tempo de comer bem, nos exercitar. Isso é evidente nos supermercados. Antigamente se vendia hamburguer pronto, para fazer o sanduíche em casa. Agora compramos o sanduíche pronto, congelado, só colocar no microondas. Claro que para produzir toda essa comida pronta, torná-la atrativa aos olhos e paladar e obter lucro a indústria tem feito uso cada vez maior de conservantes, sódio, açúcar, gordura e matérias-prima de baixa qualidade. E tudo temperado como muita propaganda livre de regulação até o momento. Sintomas disto são as doenças relacionadas à obesidade como pressão alta, alterações das taxas de gordura e açúcar no sangue estarem cada vez mais comuns entre as crianças. É de se esperar que a expectativa de vida em algumas décadas se reduzirá pelas doenças derivadas da obesidade. Daí ser louvável a iniciativa da ANVISA de querer restringir as propagandas de biscoitos e refrigerantes.
Um dos principais argumentos da Veja contra a medida é a liberdade individual e a falsa premissa de que nos são dados todos os elementos para realizarmos nossas escolhas. Será que é dito ao paciente verbalmente pelo médico que algumas pessoas morreram com o uso daquele remédio? Que o médico teve sua viagem para o último congresso de atualização paga por laboratórios que também financiam os congressos e as pesquisas e só publicam os dados favoráveis? Que o todynho(achocolatado) que dá ao seu filho de lanche todo dia tem a quantidade de sal que deve ser consumida em um dia inteiro? Que o combo do MacDonalds que lhe serve de almoço extrapola as quantidades de calorias necessárias para todo o resto do dia? Argumento mais liberal impossível.
A questão da obesidade não é uma questão simples, está ligada a todo um modo de vida e uma ideologia consumista e imediatista que se forjou no capitalismo atual e para qual não há uma pílula mágica à venda na farmácia da esquina. É uma questão de saúde pública e como tal precisa ser encarada, sendo legítima a atuação da ANVISA com vias de proteger a população da sacrossanta liberdade de prescrição de médicos que, querendo ou não, acabam servindo de correia de transmissão dos interesses das Indústrias farmacêuticas e da ideologia do capital .
Ana Carolina de Souza Pieretti
