Liberdade de Imprensa: Um peso e quantas medidas?
"Inegável, pois, que o artigo de autoria do querelado conteve ofensa à dignidade e decoro do querelante", disse o juiz. "Ao adjetivar um senador da República de "racista", esqueceu-se o réu de todos os honrados cidadãos catarinenses que através do exercício democrático do voto o elegeram como legítimo representante em nossa República Federativa. Trata-se, pois, de conduta gravíssima, que de modo algum haveria de passar despercebida, principalmente porque partiu de alguém que, como profissional vinculado a uma universidade pública, jamais poderia se valer de um meio de comunicação de grande alcance na universidade em que atua para divulgar ilícito penal".
Este é um trecho da setença proferida por um juiz na condenação do sociólogo Emir Sader por um artigo na revista Carta Maior em que respondeu à polêmica frase de Jorge Bornhausen (PFL- SC), em 2005 --"A gente vai se ver livre desta raça por pelo menos 30 anos", em referência ao PT e à esquerda brasileira.
"O senador Jorge Bornhausen é das pessoas mais repulsivas da burguesia brasileira. Banqueiro, direitista, adepto das ditaduras militares (...) revela agora todo o seu racismo e seu ódio ao povo brasileiro com essa frase, que saiu do fundo da sua alma --recheada de lucros bancários e ressentimentos", disse Sader na ocasião. Ele defendeu ainda que Bornhausen fosse processado por discriminação e racismo, e acusou o senador de atitude fascista.
Engraçado ver como a liberdade de imprensa vale paro uns e não para outros, e a impugnidade do voto foi reinvindicada para tornar a figura do senador inatacável, no entanto semana a semana vemos a Veja e outros meios atacarem o presidente eleito com mais de 60% dos votos dos brasileiro, sem que este se preocupe em processar essas mídias, como deve ser. O fato também de Emir Sader exercer um cargo em uma universidade pública é levado como um fator impeditivo de que possa assumir publicamente uma postura crítica, o que nos retoma à censura nas universidade, típica das trevas da ditadura.
Esse episódio mostra o quanto ainda temos que avançar no entendimento de liberdade.
