terça-feira, novembro 16, 2010

Fiscalização: agrotóxicos eram fabricados com produtos vencidos desde 2007



10 de novembro de 2010


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) interditou, nesta terça-feira (9/11), cerca de 60 mil litros do agrotóxico Clorpirifós Técnico na fábrica da Fersol Indústria e Comércio S.A, em Mairinque (SP). Ingredientes importados da Índia para fabricação do produto não possuíam registro. Além disso, a empresa não possuía autorização do Ministério da Agricultura para produzir o produto, utilizado para formular o agrotóxico Clorpirifós Fersol 480 EC, autorizado para uso em 14 culturas.



O registro no Ministério da Agricultura é requisito obrigatório para produção e comercialização de agrotóxicos no Brasil. “Agrotóxicos sem registro não passaram por avaliação dos órgãos competentes, portanto são produzidos de forma clandestina e sem nenhuma segurança para a saúde dos trabalhadores rurais e dos consumidores”, afirma o diretor da Anvisa, Agenor Álvares.



Durante a fiscalização, também foi identificado que mais de 2/3 dos estoques de matérias primas e componentes utilizados pela Fersol para produção de agrotóxicos e inseticidas, que correspondem a mais de 200 mil litros de produtos, estavam com os prazos de validade vencidos. “Em alguns casos, foram encontrados produtos vencidos desde 2007”, complementa Álvares.



Devido, as irregularidades encontradas, a Polícia Civil Especializada em Crimes Contra Saúde Pública do Estado de São Paulo prendeu o responsável técnico da fábrica. Do ponto de vista sanitário, as infrações encontradas podem ser penalizadas com a aplicação de multas de até R$1,5 milhão. Também participaram da fiscalização a Vigilância Sanitária e a Guarda Municipal de Mairinque



Clorpirifós



O Clorpirifós integra o grupo químico dos organofosforados, que geram alto risco à saúde e que podem levar a problemas no sistema nervoso e a déficits de função cognitiva. Em 2004, a Anvisa reavaliou o Clorpirifós e concluiu que as intoxicações causadas pelo referido ingrediente ativo podem provocar distúrbios cerebrais e no desenvolvimento de crianças.



No mesmo ano, a Agência proibiu o uso de inseticidas de uso doméstico e coletivos à base de Clorpirifós. Na época, a decisão foi tomada para evitar danos à saúde decorrentes da ação neurotóxica desses inseticidas.


Imprensa/Anvisa

terça-feira, novembro 02, 2010

E agora José?


E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou, z
o teu eleitor sumiu,
a campanha findou,
e agora, José?
E agora, você?
Você que mente e engana,
que zomba dos outros,
você que faz calúnias, manipula,
que odeia, detesta?
E agora, José?
Está sem mandato,
está sem discurso,
está sem caminho,
já não pode ofender,
já não pode degradar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
a campanha passou,
o dia da posse não vem,
o trem da alegria não vem,
o riso não vem,
não vem a utopia da faixa presidencial
e agora, José?
Sua falsa palavra,
seu instante de delírio,
sua sede de poder,
sua falta de escrúpulos,
sua imprensa marrom,
sua lavra de ouro (4 milhões),
seu terno de vidro, sua cara de pau,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?
Com as calças na mão
queria ser presidente,
não existe presidência;
queria morrer na mar de Minas,
mas o mar de Minas nunca existiu;
queria ir para o Palácio da Alvorada,
palácio da Alvorada não há mais.
José, e agora?
Se você tocasse
a valsa do adeus,
se você sumisse,
se você evaporasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é osso duro de roer, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-papão,
sem teogonia,
sem cargo político
para se encostar,
sem Paulo Preto
que fuja a galope,
só com o apoio da oligarquia,
dos ecochatos, da Ku Klux Klan Verde-amarela,
da Mídia Golpista e do Vatucano,
você marcha, José!
José, para onde?
Prefeitura de Sampa em 2012?
Quem sabe?
(livre adaptação do poema José , de Carlos Drummond de Andrade, publicado na Carta Capital)