domingo, dezembro 13, 2009

Ato, ato, ato, cada um no seu quadrado


Ato médico, demais atos da saúde e outras idiotices corporativas


Este final de 2009 trás de de volta um defunto há algum tempo esquecido. E como toda carne morta, quanto mais o tempo passa, mais fede. O velho debate sobre o ato médico. Há algum tempo eu entrava na faculdade de medicina e me deparo na aula de bioética com uma cartilha tentando nos convencer e à sociedade sobre a legitimidade do projeto de lei. Naquele momento, até pelo texto do projeto ser bem ruim nem pestanejei em ser contra. Afinal, algo que todos os meus colegas e professores eram unânimes em apoiar não podia ser boa coisa. Mas pra não falar antes de pensar, mesmo que por pensar sejamos criticados assim mesmo, fui ler e estudar sobre o ato médico e os demais atos de profissões da saúde, ou melhor dizendo, sobre as leis que regulamentam a atuação profissional de cada uma. Logo chama atenção que a maioria delas é anterior ao surgimento do SUS. Uma, como a de fisio, ainda evoca o AI-5 em seu texto, não negando o seu contexto de surgimento. Eu tinha então o seguinte raciocínio: muito barulho por quase nada. Se cada profissão já disse o que faz em sua legislação, o que sobrou, é do médico, goste ou não. Nem uns teriam motivo pra dizer que com a nova lei iam perder espaço, pois teoricamente não poderiam ir além do que seus preveem, nem os médicos poderiam espernear para retirar o que já está previsto nas demais leis. Como uma pizza de 8 pedaços para oito pessoas. Se 7 já comeram, não há porque debater se o último deve comer meio ou 2 pedaços. Mas parece que poucos viam o óbvio. O assunto ficou adormecido durante todo o meu curso de medicina e agora, com o ato médico aprovado na câmara, volta com força total. Até a cartilha reeditaram! Verdade que o texto do ato está um pouco melhor, mas difícil saber nessa disputa quem erra mais. Os demais profissionais, conseguiram em talvez uns cem anos de especialização da área da saúde, fazer o que os médicos levaram muito séculos para conseguir: preocupar-se muito mais com a sua fatia na pizza chamado mercado que com aefetividade no trabalho em saúde. Nunca vi tanta asneira dos dois lados. De quererem provar que o médico não sabe de nada ao comparar a prescrição de medicamentos com a de fisioterapia a os médicos, por sua vez, negarem o dignóstico funcional feito pelos fisioterapeutas. São 14 profissões falando do que não conhecem, pois no curso de medicina ninguém sabe o que um biomédico estuda e no curso de psicologia também não é dito o que se estuda em medicina. Como não se conversam, só quem se lasca é o paciente. Fanatismos dos dois lados, ninguém quer fazer o racional que seria, diante de tanto avanço no conhecimento e saúde e a mudança na assistência à saúde do Brasil, admitir o quão ultrapassado é esse conjunto de monólogos e revogar todos os atos anteriores ao SUS, discutindo conjuntamente as diversas categorias e a população uma nova regulamentação para a saúde, definido o que é compartilhado e o que é nuclear de cada profissãoe qual a responsabilidade de cada um quando algo dá errado (pois essa responsabilidade ninguém quer dividir com o médico). Antes disso é preciso ter a humildade de perguntar ao outro o que sabe e dizer o que sabemos, afim de ver como todos juntos podem construir a saúde, fugindo à lógica da multidisciplinaridade semelhante a um alinha de produção: cada um vai e coloca a sua pecinha no pacienet que passa à sua frente - um remédio, uma dieta, um alongamento, uma bolsa-família, um número de prontuário - e no final ninguém sabe exatamente o que se tem, nem mesmo o próprio paciente.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

A lista

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

Oswaldo Montenegro