sexta-feira, maio 16, 2008

Concorde, discorde, acorde!

Para isso há comentários. Afinal, de que servem as idéias, se não são questionadas, referendadas, rejeitadas, aceitas, enfim, trocadas!

quinta-feira, maio 15, 2008

Essa eu não resisti...

Não resisti à lista de "separados ao nascimento". Esses foram os melhores:

Serra e Homer


Beavis e Jefferson Peres


quarta-feira, maio 14, 2008

Era uma vez na Bahia..




Parece que ACM se foi mas deixou os filhotes... Depois do coordenador do curso de medicina da UFBA ter dito que o mau resultado da Universidade ná pretensa avaliação nominada ENADE deveu-se a um baixo QI dos baianos e às cotas, o magnífico reitor desta instituição anda chamando os estudantes de traidores. Engraçado é que ele memso traiu a comunnidade acadêmica da UFBA ao implantar o REUNI, ou melhor, Universidade Nova ( o primeiro nome da coisa) de forma truculenta e anti-democrática.


Segue a resposta dos estudantes:


NOTA PÚBLICA DO DIRETÓRIO ACADÊMICO DE MEDICINA EM RESPOSTA ÀS DECLARAÇÕES DO MAG. GENERAL NAOMAR DE ALMEIDA FILHO
Em recentes entrevistas, o reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Naomar de Almeida Filho acusou os estudantes de medicina da UFBA de "traidores e desleais" pelo boicote ao Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE). Obviamente, tal acusação por parte da autoridade máxima da universidade, que criticou veementemente a postura do ex-coordenador do nosso Colegiado de graduação em atribuir a "culpa" pelo baixo desempenho aos alunos, ecoa, no mínimo, contraditória, para não dizer conveniente.
É perfeitamente possível compreender o que se encontra por trás de tal atitude por parte do reitor: a preocupação com a imagem da universidade em seu reitorado. Tal imagem é o que mais importa no atual momento de promoção tanto de si quanto de suas idéias acerca de uma velha Universidade Nova, não importando se, para tanto, encubram-se os fatos: o Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES) não tem 609 leitos, como afirma o reitor. Quem quiser tirar a prova, basta ir lá e contar. Aproveitem e questionem ao magnífico e os responsáveis pelo hospital por que uma enfermaria inteira de Clínica Médica e outra inteira de Pediatria encontram-se fechadas há mais de 5 anos, prejudicando não só os estudantes da UFBA e os médicos residentes do HUPES como também a população de toda a Bahia, uma vez que o nosso hospital é referência no estado.
Nós, os estudantes de medicina da Universidade Federal da Bahia estamos sofrendo agressões sucessivas por parte daqueles que deveriam ser os responsáveis por nos oferecer as condições necessárias para o nosso melhor aprendizado. Primeiro, fomos tachados de "burros" pelo nosso coordenador de curso e agora de traidores pelo reitor da universidade. Ambas as atitudes correm no sentido de desresponsabilizaçã o da instituição e ataque ao segmento estudantil que, historicamente, vem lutando pelas melhorias almejadas em nossa estrutura de ensino.
De maneira contrária ao reitor, assumimos nossa responsabilidade pelo baixo desempenho no ENADE. Boicotamos a prova, sim, mas não porque somos "traidores e desleais à instituição pública que nos acolheu". Boicotamos porque temos a compreensão de que um bom desempenho acabaria por encobrir todos os problemas que enfrentamos diariamente, a despeito dos bons desempenhos que obtemos nos diversos concursos em todo o país. Boicotamos porque não concordamos com uma avaliação pontual e "ranqueadora" . E, por último, boicotamos porque achamos que as universidades públicas com maiores dificuldades não devem ser punidas e, sim, privilegiadas com recursos para que consigam sanar suas dificuldades.

Traidor é o Magnífico General Naomar e toda as autoridades da UFBA coniventes com:

1- A não cobrança da dívida da Fundação Baiana de Cardiologia (FBC) de 40 milhões de reais, entre equipamentos por ela roubados da unidade de cirurgia cardiovascular do HUPES;

2- A impunidade dos funcionários da UFBA, vinculados à administração central, comparsas na operação jaleco branco que desviou 20 milhões da UFBA;

3- A situação irregular e corrupta das fundações de direito privado que atuam na UFBA, já constatada pelo CONSUNI e não apuradas até então.
Assim, reafirmamos nosso compromisso com a luta por uma universidade pública e de qualidade e enfatizamos que não toleraremos mais ataques vis ao corpo de estudantes da FAMEB.
Salvador, 12 de maio de 2008
Diretório Acadêmico de Medicina - DAMED-UFBA
Gestão Áporo

segunda-feira, maio 12, 2008




Poema
Cazuza


Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
De um tempo que eu era ainda criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço, um consolo
Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
E que não tem fim
De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos ou anos atrás

domingo, maio 11, 2008


Filosofia
Noel Rosa



O mundo me condena, e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim
Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo
Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia

quarta-feira, abril 16, 2008

Dossiê do cartão de FHC: a culpa é de quem descobriu o mal-feito?


É incrível como é fácil criar pseudo-escândalos, especialmente para um grande veículo de comunicação. Nas últimas smenas tem-se visto todo um alarde em cima de um dossiê, banco de dados, enfim, de que importa, cujo conteúdo, isso sim importa, versava sobre gastos pessoais do ex-presidente FHC com um cartão corporativo (aí já são outros escândalos). O engraçado é o pretenso escândalo centrar-se na tentativa achar o "culpado" por ter feito o dossiê, e não o que fez o gasto indevido do dinheiro público! Pouco importa quem o fez, tivesse feito antes e teria feito já um grande favor ao país. Mas como as notícias são criadas e manipuladas de acordo comos interesses das empresas de comunicação e não do Brasil, não será televisionado o dia em que FHC devolver o dinheiro gasto com dona Ruth, se o fizer.

Medicina baseada em evidências: Que evidências?


Estudo sobre Vioxx teve autor-fantasma
Periódico "Jama" revela que multinacional Merck redigiu trabalhos sobre a droga e contratou médicos para assiná-los
Prática, conhecida como "ghostwriting" , é comum na indústria, afirma autor de estudo; empresa e médicos contestam publicação


STEPHANIE SAULDO "NEW YORK TIMES"


A multinacional farmacêutica Merck redigiu por conta própria dúzias de estudos sobre uma de suas drogas mais vendidas e depois recrutou médicos de prestígio para colocar os seus nomes nos relatórios antes da publicação -prática conhecida como "ghostwriting" . A revelação foi feita hoje por um artigo na revista "Jama", da Associação Médica Americana.O trabalho, baseado em documentos obtidos a partir de processos sobre o antiinflamató rio Vioxx, oferece uma visão rara e detalhada sobre a prática do "ghostwriting" (autoria-fantasma, em inglês) em estudos médicos publicados em periódicos acadêmicos.O artigo cita um rascunho de um estudo sobre o Vioxx que ainda estava à procura de um pesquisador de renome, identificando o autor principal apenas como "Autor externo?"O Vioxx era uma droga campeã de vendas antes de a Merck retirá-lo do mercado em 2004, após evidências de que ele causou ataques cardíacos. No ano passado, a empresa fez um acordo para pagar US$ 4,85 bilhões a pacientes do Vioxx ou suas famílias que moveram ações contra a multinacional.O autor principal do artigo no "Jama", Joseph Ross, da Escola de Medicina Mount Sinai, em Nova York, disse que olhar de perto os documentos da Merck levanta questões amplas sobre a validade de boa parte das pesquisas publicadas pela indústria porque o "ghostwriting" parece ser disseminado."Isso quase põe em questão toda a pesquisa legítima que é feita pela indústria farmacêutica" , disse Ross, cujo artigo sai na edição de hoje do "Jama" (http://www.jama.com/).A Merck reconheceu que às vezes contrata jornalistas para rascunhar relatórios de pesquisa antes de enviá-los aos médicos cujos nomes acabam aparecendo na publicação. Mas a empresa contestou a conclusão do artigo de que os autores não fazem pesquisa ou análise.E pelo menos um dos médicos cuja pesquisa publicada foi questionada pelo artigo, Stephen Ferris, professor de psiquiatria da Universidade de Nova York, disse que a noção de que o artigo que leva seu nome teve um autor-fantasma é "simplesmente falsa". Ele disse que é "notável" que Ross e seus colegas não tenham feito apuração nenhuma além de vasculhar os documentos da Merck e ler os artigos publicados na literatura médica.Em um editorial hoje, o "Jama" disse que a análise mostrou que a Merck aparentemente manipulara dezenas de publicações para promover o Vioxx. "Está claro que pelo menos alguns dos autores tiveram pouca participação direta", diz o editorial. "E, ainda assim, se deixaram chamar de autores".O editorial convoca os editores de revistas médicas a pedir que cada autor relate sua contribuição específica para os artigos científicos.Embora a influência da indústria sobre artigos científicos já tenha sido questionada antes, os documentos da Merck fornecem a visão mais abrangente até agora da magnitude da prática, segundo outro autor do artigo, David Egilman, da Universidade Brown.Nos processos do caso Vioxx, milhões de documentos da Merck foram fornecidos aos querelantes. Ross e Egilman tiveram acesso a eles porque deram consultoria aos advogados dos querelantes.Ross disse que as preocupações vão muito além da autoria, levantando questões sobre a validade dos testes clínicos nos quais se baseia a pesquisa. "Quem desenhou o teste? Quem fez a análise? Quem interpretou a análise?"Vasculhando os documentos da Merck, Ross e seus colegas desenterraram e-mails e documentos relativos a 96 publicações. Em alguns casos, o departamento de marketing da Merck estava envolvido no planejamento dos manuscritos.

quarta-feira, março 26, 2008

Professores: cadê?



O problema da falta de professores para as mais diferentes disciplinas já é uma questão antiga, a ponto de virar motivo de piadas. Contudo, risos a parte, o que é mais preocupante é o comodismo que isso gera dentro da comunidade acadêmica, em virtude da naturalização de uma distorção crônica. Com o tempo, acaba-se achando normal uma consulta psiquiátrica ambulatorial com vinte estudantes assistindo, ou a atitude de se levar pacientes para a sala de aula para que metade de uma turma veja, como num zoológico, as mazelas de um cidadão.
Exatamente: cidadão! Por mais que essas iniciativas sejam formas de se tentar contornar uma carência de aulas práticas, elas esbarram em questões éticas gravíssimas. Aquelas pessoas a quem nos acostumamos a chamar de pacientes, como seres que passivamente agüentam todo tipo de desaforo, são cidadãos, tanto quanto os pais de qualquer um (imaginem isso), e têm o direito de ter sua dignidade preservada, assim como nós temos o dever de combater esse tipo de prática. Essa é a razão desse texto e deve estar sempre em mente quando se discute os problemas pedagógicos do curso.
Mas, e as aulas?
O início desse semestre foi marcado por uma verdadeira enxurrada de problemas com número reduzido de professores e excesso de estudantes nas práticas. Só para citar alguns exemplos:
O Departamento de Patologia não está ministrando as aulas inseridas ao longo das diversas clínicas;
A disciplina de Doenças Endócrinas e a de Doenças Reumatológicas oferecem aula prática para apenas metade dos estudantes em cada semana;
Ortopedia há muito tempo não tem aulas práticas;
As disciplinas de Atenção à Saúde e a de Administração Sanitária não tem professores para ministrá-las em virtude da aposentadoria ou do afastamento de alguns;
Psiquiatria há muito tempo divide a turma em dois grupos de mais de vinte acadêmicos para as práticas;
Além disso, os grupos com 10, 11, 12 ou mais estudantes nas consultas de proctologia, de dermatologia e tantas outras gias...
O número limitado de professores sempre é o argumento levantado, quase como uma unanimidade, quando se tenta justificar medidas como as citadas no início, e em alguns casos realmente ele é plausível. Porém, será que realmente se limita à contratação de novos docentes a solução de tudo?
Já é fato sabido por muitos, e abafado por todos, o absenteísmo docente no nosso curso. Professores que recebem seu salário para executarem uma carga horária de 20 ou 40 horas, mas que só aparecem uma ou duas vezes num semestre em sala de aula (quando muito). Um professor desse tipo ainda teve o descaramento de solicitar aumento salarial numa reunião ordinária do Conselho do Centro de Ciências da Saúde (CONSEC) há um ano. É rir para não chorar... E o pior é que, se o processo chegou até essa instância, é porque ele foi aprovado pelo departamento em questão...
Isso é roubo de dinheiro público, e é culpado tanto quem rouba quanto quem acoberta. Omitir-se também é crime. Corrupção tanto quanto os famigerados cartões corporativos, as cuecas, etc. Desrespeito para com os estudantes, os professores que realmente cumprem seu papel (e nós sabemos quem são eles) e, principalmente, os usuários. E muitos desses meliantes é que vão abrir a boca para, hipocritamente, nos ensinar ética...
Mas também existe uma outra face desse problema. Trata-se do modelo de educação médica centrado na especialidade. Apesar dos avanços em nosso Projeto Político Pedagógico na tentativa de formação de um médico generalista, capaz de atender um ser humano de forma holística, muitos professores nos ensinam ainda como há trinta anos, são especialistas incapazes de dialogar com as demais especialidades. Trata-se de um carro novo numa pista velha e esburacada. Por isso é que se precisa de 10, 11, 12 preceptores por cada especialidade.
Só para se ter uma idéia do viés do argumento usado, o curso de medicina, o qual detém o maior número de docentes na UFRN, no ano passado tinha, segundo a lista disponibilizada pela coordenação de curso e enviada em outubro para os e-mails das turmas pelo CANECA, 181 professores espalhados por DMC, DMI, DPED, DGO, DSC, CIR, PAT e INF. Em 2007.2, havia 563 acadêmicos de medicina matriculados. Isso resulta numa relação média discente-docente de 3,11. A situação atual é um verdadeiro absurdo!
Por isso é que não se pode tolerar as atitudes citadas para “contornar a carência de preceptores”. O buraco é muito mais embaixo. É necessário confrontar essa erva daninha de forma a cortá-la pela raiz, para que nossa educação aconteça concretamente, não só do ponto de vista técnico, mas principalmente do humanístico e do ético. Isso se aprende no cotidiano, na prática de todos os dias, em cada momento, e não da boca para fora ou numa mera disciplina.
Por isso, se você se indigna com toda essa falta de escrúpulos e de caráter, denuncie!
Henrique Gonçalves

segunda-feira, março 24, 2008

Café do Vento - ventos musicias diferentes em Natal


Provenientes de distintas escolas musicais, os compositores Roderick Fonseca (violino) e Mazinho Vianna (violão) criam a tessitura das peças da banda aliadas aos arranjos percussivos de Sami Tarik e Kleber Moreira. O inusitado sempre foi uma característica do grupo, ações cênicas misturam-se à execução instrumental da banda.O resultado é um som em que a percussão criativa se alia ao violino e às flautas numa mistura inovadora que mescla até Bolero de Ravel com Raul Seixas, Ciranda com música instrumental. Mostra que existe sim vida no meio cultural de Natal. E mesmo que muitos não a conheçam se faz conhecida mundo afora, indo representar nossa terra em um festival musical na Saxônia ( Alemanha) em Julho. Vale a pena prestigiar enquanto não se vão.


Mais informações: http://www.cafedovento.mus.br/

sábado, março 22, 2008

REUNI e Bacharelado em Ciência e Tecnologia: Que bicho é esse?








Como parte dos desdobramentos do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais - REUNI, teremos na UFRN o Bacharelado em Ciência e Tecnologia. Mas o que vem a ser isso?
Segundo informações da própria reitoria, será uma nova forma de acesso aos cursos de engenharias e outros da tecnológica como bacharelados (matemática, física...). Na verdade, pode ser uma forma de acesso. Será um curso de três anos, com turmas em média de 180 estudantes que ao longo do cursam optam e são selecionados ( através de prova e IRA) para seguir na aréa de formação de ciência ou tecnologia. E ao final destes 6 semestres saem com um diploma de...bacharel em ciência e tecnologia! É um engenheiro? Não! Matemático? Não! É um bacharel em ciência e tecnologia. E para que serve esse diploma? Para ingressar num mestrado, fazer concurso público de nível superior, ter prisão em regime especial...Ah, também pode servir para ingressar em outros cursos, que aí sim a gente sabe pra que serve, tipo, engenharia, matemática, física....
Também está prevista uma maior interaçãoda pós-graduação com a graduação. Como? Os estudantes de mestrado e doutorado vão dar aula também. Para quê contratar professores se temos estudantes para dara aula para os outros estudantes? E também haverá super-monitores com bolsas diferenciadas para ajudar nessas turmas hipertrofiadas.
E quando começa tudo isso? Segundo a reitoria, a primeira entrada já será em 2009.2. E ficou claro na reunião em que tudo isto foi passado ao CANECA que isto é uma experiência inicial. Parece que a UFRN tem ambições de seguir exemplos de outras universidades em que isto já acontece em outras as áreas, como é o caso da federal do ABC (SP) e a UFBA ( BA). E depois a gente continua achando que o que acontece na Universidade não tem a ver com a gente...




quarta-feira, março 19, 2008

Saúde no Rio Grande do Norte: prognóstico reservado.


Estive recentemente visitando a rede básica de saúde de Recife e, como potiguar, senti o orgulho um tanto ferido. Invejei um bocado o direito dos pernambucanos serem bairristas como se costuma dizer. Encontrei na rede básica de saúde medicamentos como antibióticos e antivirais ( tipo o aciclovir ) que não encontro no hospital de referância de infectologia do nosso estado. Lá também vi o quanto a rede básica de saúde pode ser resolutiva, desde que sejam dadas as mínimas condições e os profissionais sejam preparados e queiram fazer a sua parte. Lá vi o posto de saúde não ser um mero balcão de encaminhamentos.
Já aqui...Parece haver um pacto de mediocridade que congrega dos governantes ao agente de saúde, passando claro pelos médicos. Claro, não devemos generalizar, pois tem muita gente boa dando o melhor de si pra fazer com que a população tenha uma assistência à saúde digna. Mas também tem muita gente que parte da idéia de que quanto pior, melhor. E lucra com isso. Lucra por que isso demanda mais verba, e então rouba mais, lucra por que isso demanda soluções emergenciais com profissionais sendo pagos de maneira diferenciada, lucra por que isso gera votos, lucra por que em meio ao caos qualquer um que der (ou vender barato) aquilo que o povo deveria ter de graça é um herói. Soube recentemente que na rede municipal de saúde de 100 equipes de PSF, 52 estão sem médicos. Não acho que o médico seja único na assistência à saúde, mas acho que a população tem que ter o direito de ter uma consulta com um médico ( ou nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta...) se precisar.
A visita a Recife só confirmou a minha impressão de que o SUS tem solução sim. E não é o tipo de solução que vem sendo proposta por exemplo pelo sindicato dos médicos de jogar paras as empresas a responsabilidade com a saúde de seus funcionários ( e quem não tem carteira assinada?). Também não concordo com quem diz que o problema é só o governo. Muito fácil se eximir da culpa. O problema é de todos. inclusive nosso. O que o nosso curso está contribuindo para formar médicos melhores para o SUS? O que nós estamos fazendo para que ele cumpra essa função? Estou cansada de ver, por exemplo, médicos formados em escolas privadas mais preparados para a atenção básica ( que deveria resolver 85% da demanda da saúde) do que aqueles vindos de escolas públicas, que só pensam (muitos, não todos) em fazer a especialidade onde tenha mais procedimentos e próteses e medicamentos com que possam ganhar em cima do paciente ou do sistema ( público ou privado) consolidando uma indústria da doença. Quanto mais doente melhor, ganha-se mais. Não nos vejo preparados para promover saúde, trazer saúde, mas sim para lucrar com a doença.
Minha angústia maior, um tanto mesquinha e egoista é verdade, é que tenho visto tudo caminhar para dentro de um curto prazo o nosso curso não ser mais o melhor do estado. Não que não tenha bons professores, não que não tenha bons estudantes, não que não seja possível fazer as mudanças necessárias para se ter um curso excelente em uma universidade pública. Mas parece que um vírus de paralisia contaminou a professores, estudantes, e nada mais importa do que "bater o ponto" ( e isso importa?) na sala de aula. Dessa forma, é difícil querer que quando estivermos lá no SUS não se assuma a postura cômoda e medíocre de jogar a culpa no governo, no gestor, no SUS...

terça-feira, março 18, 2008

quinta-feira, janeiro 24, 2008


Há tempos...

Nem tinha me dado conta que há tanto não escrevia. estava tão sem tempo até para perceber que não tinha tempo. Acaba que o ritmo que a sociedade demanda de nós, futuros médicos, mas claro que não só nós, parece tornar natural o anti-natural. Não durmir direito, não comer direito, não pensar direito...não temos tempo para isso, e tempo é dinheiro.

domingo, janeiro 07, 2007




Casa no Campo

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais